Delinear estratégias com o agroalimentar

APN_Célia Craveiro

Para Célia Craveiro, os nutricionistas são parceiros essenciais do setor agroalimentar

Dissociar as questões relacionadas com a nutrição das empresas do setor agroalimentar foi, possivelmente, um erro enorme cometido há muitos anos”. Entrevista a Célia Craveiro, presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas.

É possível recuperar o tempo perdido e fazer parte da equação para responder aos desafios sentidos pelo setor agroalimentar. Desafios legislativos, mas também os lançados pelo consumidor, com novos hábitos e tendências de consumo. É que tudo leva a querer que se caminha para recuperar hábitos antigos, aparentemente mais saudáveis. E o mais possível, português!

Uma entrevista à margem do XV Congresso de Nutrição e Alimentação, organizado pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas, a decorrer de 19 a 20 de maio na Alfândega do Porto.

1.Nutricionistas e agroindústria. Que relação que existe atualmente?

Dissociar as questões relacionadas com a nutrição das empresas do setor agroalimentar foi, possivelmente, um erro enorme cometido há muitos anos. Pensava-se na alimentação na sua vertente mais simples, esquecendo as questões relacionadas com a nutrição e nas suas consequências. Nos últimos anos, esta realidade foi-se moldando e adaptando a uma nova dinâmica, até pela inerência da evolução de conhecimento, que relaciona a alimentação com uma série de patologias emergentes.

Assim, ao setor agroalimentar passa a ser imposta uma necessidade obrigatória de iniciar parcerias com o conhecimento, com a ciência e com a inovação para evoluir, para contrariar a possível desconfiança existente. Para essa parceria, a perspetiva e conhecimento do nutricionista é fulcral.

2.Em que setores os nutricionistas têm dado o seu maior contributo?

Os contributos dos nutricionistas tiveram e continuam a ter, um papel de extrema importância, na adaptação de produtos à realidade nacional e às características exclusivas do nosso país, mesmo sendo nós apenas 10 milhões de possíveis consumidores. E ainda no desenvolvimento de produtos para irem ao encontro das recomendações internacionais ao que à nutrição diz respeito, ou para estarem coincidentes com padrões normativos e legais impostos aos géneros alimentícios.

3.Do ponto e vista da nutrição, quais os grandes desafios da indústria?

As mais recentes e atuais recomendações para o consumo de açúcar, sal e gorduras trans serão claramente fatores influenciadores e potenciadores de desafios e mudanças no posicionamento de determinados produtos alimentares existentes, ou até na criação de produtos que andem em paralelo com estas recomendações.

4.E os consumidores? Também têm desafios?

O maior desafio para os consumidores será aumentar e potenciar a literacia do ponto de vista da nutrição e alimentação, de modo a poder efetuar de forma consciente as melhores escolhas alimentares. Também deverá ser capaz de fazer a destrinça da informação, muitas vezes facciosa, que lhe chega, sem filtro, sem nexo e sem evidência, deturpando o conhecimento e potenciando a confusão no momento de escolher e exigir.

5.Como analisa os comportamentos alimentares dos portugueses?

Começa-se a verificar que as novas gerações estão abertas a novas experiências alimentares e representam um consumidor mais exigente e interessado.

Será, contudo, importante trabalhar a procura por alimentos nacionais, sempre que possível, respeitando a sazonalidade e a sustentabilidade alimentar. Será fundamental aperfeiçoar a capacidade que o consumidor tem para ler o rótulo, pois se o souber fazer fará escolhas mais conscientes.

6.Podemos falar, a curto prazo, de novas tendências de consumo?

As tendências de consumo acompanham as exigências do consumidor, sendo que este, cada vez mais, procura alimentos mais saudáveis, acessíveis e apelativos em termos organoléticos. Este processo leva, por vezes, ao desenvolvimento de novos alimentos ou então à valorização de produtos já há muito existentes na nossa gastronomia, como são exemplo as leguminosas, os cereais integrais ou os frutos oleaginosos.

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