Medronho com potencial económico

D.R.

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A Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) e a empresa Green Clone estão a desenvolver projetos de investigação sobre medronheiros e a apoiar jovens agricultores na produção em escala.

“Existe uma grande procura de plantas melhoradas. Havia necessidade de dar resposta e nós, como escola, não tínhamos essa capacidade”, afirma à agência Lusa Filomena Gomes, docente e investigadora da ESAC. A oportunidade foi a porta aberta para duas ex-alunas criarem a empresa Green Clone e desenvolver estudos sobre o fruto.

A existência de grupos de trabalho transversais – produção das árvores minúsculas em laboratório, plantação, adubagem, poda, eventual rega, colheita dos frutos, embalamento e comercialização para consumo em fresco, transformação em aguardente e doces sem adição de açúcar, entre outras – permitiu perceber, por exemplo que “apesar de a grande transformação do medronho estar associada à aguardente, existem outras utilizações, se produzirmos frutos maiores», preconiza a docente Cristina Franco.

Com a primeira venda da Green Clone a traduzir-se em 10 mil medronheiros, a empresa continua a receber encomendas de todo o país, com destaque para o Centro, com alguns compradores a beneficiarem de projetos aprovados para a produção do fruto em fresco.

Rentabilidade garantida

Não é por acaso que na região centro a plantação de medronheiros tem vindo a crescer. A necessidade de ocupar os solos após os incêndios, recorrendo a uma cultura com pouco investimento e trabalho, já para não falar da possibilidade de obter os medronhos a partir das árvores espontâneas, faz do medronheiro uma boa opção.

A iniciativa partiu de produtores que procuram diversificar as aplicações do fruto, desde o fabrico de aguardente ao consumo do medronho em frasco. José Martins é um desses proprietários. Com 36 hectares de medronhal, na Pampilhosa da Serra, diz que “é uma planta que se dá bem aqui e que, à partida, oferece grande rentabilidade económica, desde que seja trabalhada com alguma escala.”

Através de um projeto de jovem agricultor, apoiado pelo Estado, tem vindo a aumentar a área de medronhal e já possui 22 mil árvores. Neste inverno, espera obter 15 toneladas de massa e 2.500 litros de aguardente. Mas a sua aposta é a exportação: “Tem de haver capacidade de produção e alguma escala”, explica o jovem empresário.

Atualmente compra algum medronho a pequenos produtores, mas o que realmente pretende é atingir 100 hectares de plantação. Em janeiro começará a construir a sua destilaria, um projeto apoiado pela autarquia de Pampilhosa da Serra.

O medronheiro integra a vegetação autóctone de várias regiões de  Portugal, como é o caso do Algarve e, agora, nos territórios de baixa densidade demográfica do Centro do país.
Com Lusa

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